O ESSENCIAL: Desde julho de 2026, o PRP (plasma rico em plaquetas) está autorizado pelo Conselho Federal de Medicina como tratamento adjuvante da artrose do joelho (Resolução CFM nº 2.464/2026). A pesquisa mostra benefício real de dor e função — mas o resultado depende da concentração de plaquetas aplicada e da seleção correta do paciente: PRP de baixa dose tende a falhar. Na Galvão Ortopedia, em Londrina, a dose é calculada a partir do exame de cada paciente, a aplicação é guiada por ultrassom e a evolução é acompanhada com escores validados pela literatura. E o PRP complementa — nunca substitui — a base do tratamento: exercício, controle do peso, modalidades biofísicas e acompanhamento multimodal.

Se você tem artrose no joelho, provavelmente já ouviu falar do PRP por um parente ou um amigo, numa reportagem ou até mesmo em um consultório médico — e talvez tenha recebido respostas opostas: “é o futuro” ou “isso não funciona”. As duas carregam um pedaço de verdade. Este texto existe para organizar a conversa com honestidade: o que é o PRP, o que mudou na regra brasileira em 2026, o que os melhores estudos mostram, e como decidir se faz sentido para o seu joelho.

O que é o PRP, sem mistério

O PRP é preparado a partir do seu próprio sangue. A coleta é igual à de um exame comum; o sangue passa por uma centrífuga que separa e concentra as plaquetas — células que carregam fatores de crescimento, moléculas que participam da regulação da inflamação e do reparo dos tecidos. Esse concentrado é então aplicado dentro da articulação do joelho. Não é célula-tronco, não é milagre e não é um remédio novo: é uma forma de concentrar um recurso que o seu corpo já tem e entregá-lo onde ele é necessário.

O que mudou em 2026

Até este ano, o PRP era considerado procedimento experimental no Brasil. Em 15 de julho de 2026, a Resolução CFM nº 2.464/2026 mudou esse cenário: o PRP passou a ser autorizado como tratamento adjuvante em condições musculoesqueléticas específicas — e a artrose do joelho é a principal delas. A norma traz exigências que protegem o paciente: preparo preferencialmente em sistema fechado, termo de consentimento específico e médico habilitado. Técnicas derivadas de medula óssea ou gordura (BMAC, MFAT) continuam vedadas fora de pesquisa.

O que a ciência mostra — com todas as letras

Nível de evidência: meta-análises de ensaios clínicos randomizados (nível 1), com heterogeneidade relevante entre os estudos.

Resumo honesto: o PRP funciona melhor como parte de um plano, na artrose leve a moderada, com dose adequada e paciente bem selecionado. Aplicado às cegas — sem critério de dose nem acompanhamento — vira loteria.

Como fazemos na Galvão Ortopedia

Para quem o PRP não é

Artrose avançada com indicação clara de prótese; infecção ativa; doenças do sangue ou plaquetas baixas; e — talvez o mais importante — quem procura uma promessa milagrosa de cura definitiva. Artrose não tem cura; tem controle. A avaliação individual decide o resto.

Perguntas frequentes

PRP dói?

O desconforto é comparável ao de uma infiltração comum, com anestesia local no ponto de entrada. Dor leve nas primeiras 24–72 horas pode ocorrer e faz parte da resposta inicial do organismo.

Quantas aplicações são necessárias?

Os protocolos variam de 1 a 3 aplicações na maioria dos estudos. Na Galvão Ortopedia trabalhamos prioritariamente com aplicação única de alta dose, calculada de acordo com os exames; casos específicos podem ter planos diferentes.

PRP é melhor que viscossuplementação?

Nas meta-análises, aos 12 meses, o PRP levou vantagem em dor e função. Mas a escolha depende do seu quadro — e, às vezes, a resposta certa é outra opção, ou nenhuma injeção.

Convênio cobre PRP?

Não. É um procedimento particular. Emitimos nota fiscal.

Quanto custa?

Depende da dose e do kit definidos para o seu caso. O valor exato é apresentado na avaliação, antes de qualquer decisão — sem surpresa.

Quanto tempo dura o efeito?

Nos estudos, o benefício medido se estende de 6 a 12 meses, por vezes mais. Manter o fortalecimento e o peso sob controle é o que estica o resultado.

O próximo passo

Se você quer saber se o PRP faz sentido para o seu joelho, o caminho é uma avaliação completa — com tempo, exame físico, ultrassom na própria sala e uma conversa honesta sobre todas as opções, incluindo as que não envolvem injeção.

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Escrito por Dr. Pedro Galvão — Ortopedia e Traumatologia · Cirurgia do Joelho · CRM-PR 35.375 · RQE 27.205 · Mestre EPM/UNIFESP · Professor Assistente e Coordenador da Residência de Ortopedia e Traumatologia da UEL. Publicado em 1 de setembro de 2026. Última revisão: 1 de setembro de 2026.

Referências

  1. Bensa A, et al. PRP Injections for the Treatment of Knee Osteoarthritis: The Improvement Is Clinically Significant and Influenced by Platelet Concentration. Am J Sports Med. 2025.
  2. Bennell KL, et al. Effect of Intra-articular Platelet-Rich Plasma vs Placebo Injection on Pain and Medial Tibial Cartilage Volume in Patients With Knee Osteoarthritis: The RESTORE Randomized Clinical Trial. JAMA. 2021.
  3. Belk JW, et al. Platelet-Rich Plasma Versus Hyaluronic Acid for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Am J Sports Med. 2020.
  4. Li YF, et al. Platelet-Rich Plasma Is More Effective Than Hyaluronic Acid Injections for Osteoarthritis of the Knee: A Meta-Analysis Based on Randomized, Double-blinded, Controlled Clinical Trials. Arthroscopy. 2025.
  5. Bansal H, et al. Platelet-rich plasma (PRP) in osteoarthritis (OA) knee: correct dose critical for long-term clinical efficacy. Sci Rep. 2021.
  6. Kolasinski SL, et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis Rheumatol. 2020.
  7. Moseng T, et al. EULAR recommendations for the non-pharmacological core management of hip and knee osteoarthritis: 2023 update. Ann Rheum Dis. 2024.
  8. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.464/2026, publicada no DOU em 15/07/2026.